sábado, 16 de junho de 2018

LIMPEZA CELULAR Exercícios físicos ajudam na limpeza celular do corpo





Exercícios físicos ajudam na limpeza das células do corpo

Se o metabolismo não elimina resíduos de micro-organismos, há risco de doenças




Ao abordar os benefícios da atividade física, poucos falariam sobre a "faxina celular". Mas um novo estudo sugere que a habilidade do exercício físico de acelerar a remoção de "lixo" das células do corpo pode ser um dos seus mais valiosos efeitos.

Na nova pesquisa, publicada em janeiro na revista "Nature", cientistas do Instituto Howard Hughes da Universidade do Sudoeste do Texas, em Dallas, nos Estados Unidos, estudaram dois grupos de camundongos. Um deles era considerado normal, com um sistema de limpeza celular funcional, e o outro, com um mau funcionamento da limpeza celular.

Há tempos os cientistas já sabem que as células acumulam restos do dia a dia. Dentro do corpo celular, é formada uma espécie de lixo a partir da quebra de proteínas, pedaços de membrana celular, vírus e bactérias mortas, além de outros componentes celulares, que já não mais são utilizados pelo organismo.
Na maior parte do tempo, as próprias células varrem os restos para fora do corpo. Elas reciclam esse material para gerar energia. A partir do processo de autofagia, as células criam membranas especializadas, que envolvem o lixo e o carregam até uma região chamada de lisossomo (uma organela celular), onde os restos descartáveis são quebrados e queimados, como fonte de energia.

Sem esse sistema eficiente, as células podem "engasgar" e morrer por conta do mau funcionamento. Recentemente, alguns cientistas começaram a suspeitar de que os processos falhos de autofagia contribuíam para o desenvolvimento de uma série de doenças, incluindo o diabetes, a distrofia muscular, o câncer, e o Alzheimer.
Além disso, a desaceleração dos processos de autofagia, com a chegada da meia-idade, também parece ter um papel importante no envelhecimento.

Pesquisadores acreditam que o processo evoluiu em resposta ao estresse causado pela fome. Durante o experimento, a células se reuniam para consumir partes supérfluas delas mesmas para manter as partes importantes vivas. No laboratório, a taxa de autofagia aumenta quando as células "passam fome" ou são expostas a situações de estresse.

O exercício é interpretado como estresse físico. Entretanto, até recentemente, poucos pesquisadores haviam questionado se o exercício poderia influenciar a autofagia das células e, caso isso fosse possível, acarretaria em alguma diferença para a saúde do corpo.

"A autofagia afeta o metabolismo e tem inúmeros benefícios para o corpo, bem como o exercício", afirma Beth Levine, investigadora do instituto. "Parece que os dois fatores (exercício e limpeza celular) estão fortemente relacionados, mas ainda é difícil determinar por que caminhos eles andam juntos", aponta a pesquisadora.

Testes. Para entender o processo, a cientista e seus colegas colocaram os camundongos para correr. Antes disso, os animais passaram por um tratamento para que as membranas envolvidas na autofagia pudessem brilhar no escuro.

Após apenas 30 minutos de exercícios físicos, os camundongos tiveram um aumento significativo no número de membranas em destaque no corpo. Segundo os pesquisadores, isso indica uma aceleração no processo de autofagia.

Em um segundo experimento, os cientistas criaram um grupo de camundongos que foi impedido de aumentar a quantidade de limpeza celular.

Quando foram colocados para correr ao lado do grupo de controle, aqueles que eram resistentes à autofagia rapidamente ficaram mais cansados. Os músculos desse grupo de animais pareciam incapazes de utilizar o açúcar do sangue da mesma forma que os camundongos normais.


LIMPEZA CELULAR Equilibrar esforço e descanso é fundamental para quem pratica esporte, alertam especialistas Gina Kolata The New York Times Comente

Equilibrar esforço e descanso é fundamental para quem pratica esporte, alertam especialistas

Gina Kolata
The New York Times
  • Fisiologistas estão preocupados com a prática crescente de exercícios extremos entre amadores Fisiologistas estão preocupados com a prática crescente de exercícios extremos entre amadores
Enquanto as autoridades de saúde pública lamentam o fato de que a maioria das pessoas tende a praticar pouco exercício - isto é, caso estejam praticando qualquer exercício - os fisiologistas estão preocupados com a tendência oposta: um foco crescente na prática de exercícios extremos entre alguns atletas amadores. Levantamento de peso sem descanso entre as séries e sem dias de folga. Exercícios de resistência, sem dias leves ou de folga. Competições que incentivam o excesso.
Recentemente, para participar de uma corrida, meu amigo Joel Wilbur teve que assinar um documento reconhecendo que poderia morrer. Ainda assim, Joel ficou desapontado ao descobrir a corrida não era tão perigosa. Depois de assinar um consentimento de morte, disse ele, esperava correr alguns riscos graves.
Uma vez, minha parceira de exercícios, Jen Davis, assinou um termo de consentimento para participar de uma corrida que anunciava o seguinte: "Partes da trilha passam por penhascos. Se você não tiver cuidado, é possível que despenque e venha a falecer. Pouquíssimos corredores fazem o percurso sem sofrer uma queda. A maioria dos corredores sofre várias".
Ela achou o trajeto tão árduo e perigoso que nunca mais fez algo assim novamente.
Além disso, não são poucos os programas comerciais de condicionamento físico que prometem levar as pessoas a superar seus limites.
"As pessoas pensam que uma boa prática de exercício consiste em suar em bicas e vomitar", disse William Kraemer, professor de cinesiologia da Universidade de Connecticut. Mas se isso acontecer, disse ele, "significa que você foi rápido demais, e que o seu corpo simplesmente não conseguiu satisfazer suas exigências".
Não é tão fácil encontrar um equilíbrio justo entre esforço e descanso, dizem os pesquisadores. Para quem se exercita de menos, os resultados podem ser decepcionantes.
Pode ser que meu colega Jason Stallman tenha passado exatamente por isso. Ele queria evitar as consequências habituais das lesões por conta da prática excessiva de corridas de maratona. Assim, inventou um programa de exercícios próprio.
Ele se exercitava durante a semana, mas não corria. Corria apenas uma vez por semana, quando fazia uma corrida longa.
Jason se sentia ótimo e as corridas longas estavam indo bem. Mas quando chegou a hora de encarar uma corrida, contou ele, suas pernas não tinham mais condições. Ele marcou um tempo mais lento do que fez na maioria de suas maratonas anteriores.
Esforço crescente
Os atletas experientes sabem que a única maneira de melhorar é se esforçar. Levantar pesos que são maiores do que aqueles que você já levantou antes. Correr ou pedalar a um ritmo acelerado em alguns dias, mas se concentrar em aumentar a distância percorrida em outros. Exercitar-se a ponto de não conseguir se recuperar totalmente entre as sessões.
Você deve se sentir cansado, disse John Raglin, psicólogo de esportes da Universidade de Indiana. Porém, se você fizer muito esforço e descansar pouco, seu desempenho piora, não melhora.
"Os atletas sérios sabem disso - se eles respeitam tais princípios ou não, são outros quinhentos", disse Raglin. "Muitos atletas amadores de fato não fazem ideia dessas questões."
Quando eles treinam mais forte, mas param de progredir, ou até mesmo percebem um retrocesso, "ficam inquietos e tentam intensificar os exercícios", disse Raglin.
Ele vê isso ocorrer recorrentemente: um atleta começa um programa de exercícios e se torna muito dogmático, sem tirar um dia de folga sequer.
Importância da recuperação
"A importância da recuperação é um tema importante na ciência dos exercícios físicos", disse Raglin. "Mas os atletas amadores sérios ainda não têm conhecimento disso."
Os músculos precisam se recuperar depois de serem tensionados por grandes pesos, observou Kraemer. Os pesquisadores sabem há muito tempo que o caminho para aumentar a força é o que eles chamam de periodização: intercalar dias de descanso e dias e semanas de prática mais leve com períodos de aumento de peso.
Nos esportes de resistência, os músculos são submetidos a um tipo diferente de tensão, disse Bengt Saltin, diretor do Centro de Pesquisa Muscular de Copenhague, da Universidade de Copenhague. Mas o problema de fazer um esforço intenso dia após dia é muito semelhante.
A prática intensa de exercícios de resistência esgota o glicogênio, que é a reserva de energia dos músculos. Segundo Saltin, os músculos armazenam glicogênio suficiente para apenas uma hora e meia a duas horas de atividade.
É preciso um dia para que os praticantes treinados de exercícios de resistência reponham o glicogênio. Os atletas que costumam praticar menos exercícios têm uma quantidade menor da enzima que repõe o glicogênio - a glicogênio sintase. Pode levar até dois dias até que eles restabeleçam esse combustível muscular.
Além disso, o tecido conjuntivo dos músculos pode ser danificado, e precisa de tempo para se recuperar. Em uma pesquisa conduzida com os participantes de uma corrida realizada anualmente na Dinamarca, cujo trajeto é um pouco mais longo que duas maratonas, Saltin e seus colegas descobriram que os músculos dos atletas perdiam a elasticidade à medida que os seus tecidos conjuntivos enfraqueciam.
A corrida ficou cada vez mais difícil, tanto que a energia necessária para impor um ritmo no final da corrida foi 50% maior do que tinha sido no início.
Atenção aos sinais
Como evitar, então, um programa de exercícios autodestrutivo? Não há regras rígidas e rápidas, porque os atletas são muito diferentes uns dos outros. Um programa de exercícios que funciona para uma pessoa pode ser prejudicial para um outro atleta igualmente talentoso.
Raglin disse que mesmo os especialistas, pesquisadores que, como ele, estudam a prática excessiva de exercícios, tiveram problemas para definir os sintomas. As alterações psicológicas são os sinais mais consistentes de que existe um problema, disse ele.
Nos estágios iniciais da prática excessiva de exercícios, os atletas se sentem constantemente cansados; na fase final, eles podem se sentir deprimidos.
Os atletas amadores devem estar atentos a sinais de cansaço, afirmou Raglin. Se tais indícios persistirem por vários dias, os atletas devem tirar um dia de folga ou simplesmente praticar exercícios de modo mais leve. É possível que manter um diário ou fazer notas de como se sentem possa ajudar.
Isso não significa que programas difíceis estão fora de questão, esclareceu Raglin. Ele deve mesmo saber bem do que fala - está treinando para uma competição a ser realizada em março, o Arnold 5K Pump and Run, em que os competidores devem fazer um exercício de supino com o peso de seu próprio corpo até 30 vezes e depois encarar uma corrida de cinco quilômetros.
"Não acho que é algo muito extremo", disse Raglin.
O evento, pelo menos, não pede que ele assine um termo de consentimento de morte.
Atividade física faz adulto fabricar tipo de gordura que protege da obesidade, mostra estudo 6 Do UOL Em São Paulo 12/01/201213h35 > Atualizada 30/04/201517h17 Ouvir texto 0:00 Imprimir Comunicar erro Um hormônio pro... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2012/01/12/atividade-fisica-faz-adulto-fabricar-tipo-de-gordura-que-protege-da-obesidade-mostra-estudo.htm?cmpid=copiaecola
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Atividade física faz adulto fabricar tipo de gordura que protege da obesidade, mostra estudo 6 Do UOL Em São Paulo 12/01/201213h35 > Atualizada 30/04/201517h17 Ouvir texto 0:00 Imprimir Comunicar erro Um hormônio pro... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2012/01/12/atividade-fisica-faz-adulto-fabricar-tipo-de-gordura-que-protege-da-obesidade-mostra-estudo.htm?cmpid=copiaecola

LIMPEZA CELULAR Atividade física faz "faxina" dentro das células, mostra estudo


RIO – O “sistema de limpeza” fundamental para o funcionamento das células do corpo tem forte influência na formação de placas de proteína associadas ao desenvolvimento do mal de Alzheimer, mostra pesquisa publicada na edição desta semana da revista “Cell Reports”. Em experimento realizado com camundongos, cientistas do Instituto Riken de Ciências do Cérebro, no Japão, verificaram que desligar este sistema, conhecido como autofagia, previne a formação de placas de amiloide beta no órgão. Por outro lado, porém, a proteína passa a se acumular dentro dos neurônios, levando eventualmente à sua morte.
Embora isso torne o uso terapêutico da descoberta limitado, a experiência no Japão pela primeira vez revelou como é o metabolismo da amiloide beta nos neurônios, o que pode ajudar a entender seu papel morte neuronal e na perda de memória típicos do Alzheimer. A doença afeta cerca de 36 milhões de pessoas no mundo, com previsão de dobrar este número nos próximos 20 anos, mas suas causas ainda são muito pouco compreendidas. Sabe-se, no entanto, que as vítimas costumam apresentar placas de amiloide beta em seus cérebros, o que indica que eles têm um papel no processo neurodegenerativo.
- Nosso estudo explica como a amiloide beta é secretada pelos neurônios via autofagia, o que ainda não era bem compreendido – comentou Per Nilsson, um dos pesquisadores do instituto japonês. - Assim, controlar o metabolismo da amiloide beta, incluindo sua secreção, pode ser uma chave para controlar a doença. Desta forma, a autofagia pode vir a ser um potencial alvo de remédios para o controle do mal de Alzheimer

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Ao destacar os benefícios da atividade física, poucos de nós incluiriam a "faxina" intracelular. Contudo, um novo estudo sugere que a capacidade dos exercícios físicos de acelerar a remoção de resíduos e reciclagem dos componentes aproveitáveis das células do corpo pode ser um de seus efeitos mais importantes, ainda que o menos visível.
Na nova pesquisa, publicada mês passado na revista Nature, cientistas do Centro Médico do Sudoeste na Universidade do Texas, em Dallas, uniram dois grupos de camundongos. Um era normal, possuindo um sistema de limpeza celular apurado. O outro tinha sido reproduzido com sistemas de eliminação de resíduos enfraquecidos.
Sabe-se, há muito tempo, que as células acumulam resíduos do desgaste da vida cotidiana. Dentro da célula há uma espécie de amontoado de dejetos formado de proteínas quebradas, fragmentos de membranas celulares, bactérias ou vírus invasores e componentes celulares gastos ou decompostos.
Na maioria das vezes, as células eliminam esses dejetos. Elas até os reciclam para obter energia. Através do processo de autofagia, ou autodigestão, as células criam membranas especializadas que ingerem os dejetos presentes no citoplasma e os levam para uma região da célula denominada lisossomo, onde os resíduos são quebrados e queimados para obtenção de energia.
Sem esse sistema eficaz, as células poderiam ficar sufocadas e não funcionar bem ou morrer. Nos últimos anos, alguns cientistas começaram a suspeitar que mecanismos de autofagia falhos contribuíssem para o desenvolvimento de diversas doenças, incluindo diabetes, distrofia muscular, mal de Alzheimer e câncer. Acredita-se que a desaceleração da autofagia na meia-idade também exerça um papel no envelhecimento.
Autofagia
A maioria dos pesquisadores acredita que o desenvolvimento do processo foi uma reação ao estresse da inanição: a célula passaria a reunir e consumir partes supérfluas de si própria para manter vivas as partes importantes. Em placas de Petri, a taxa de autofagia aumenta quando as células estão famintas ou são colocadas sob outra forma de estresse fisiológico.
O exercício físico certamente consiste em um estresse fisiológico. Contudo, até recentemente, poucos pesquisadores haviam indagado se o exercício físico poderia de alguma forma afetar a taxa de autofagia e, caso afetasse, se isso seria importante para o corpo de modo geral.
"A autofagia afeta o metabolismo e possui benefícios abrangentes para o corpo relacionados à saúde", afirmou Beth Levine, pesquisadora do Instituto Médico Howard Hughes no Centro Médico do Sudoeste. "Parecia haver consideráveis elementos em comum." Porém, não estava claro como os dois interagiram, acrescentou Levine.
Assim, ela e seus colegas colocaram em ação camundongos de laboratório. Os animais haviam passado por um tratamento para que as membranas envolvidas na autofagia brilhassem, revelando-se. Após 30 minutos apenas, os cientistas descobriram que os camundongos tinham uma quantidade significativamente maior de membranas nas células do corpo todo, o que indicava uma autofagia acelerada.
Contudo, essa descoberta não explicava o significado do aumento da limpeza celular para o bem-estar dos camundongos. Por isso, os pesquisadores desenvolveram uma linhagem de camundongos cujos níveis de autofagia permaneciam constantes mesmo se eles estivessem famintos ou vigorosamente exercitados.
Em seguida, os pesquisadores fizeram com que esses camundongos corressem lado a lado com um grupo de controle de camundongos normais. Os camundongos resistentes à autofagia ficaram exaustos rapidamente. Seus músculos pareciam incapazes de retirar açúcar do sangue como faziam os camundongos normais.
Importância de manter-se ativo
A maior surpresa ocorreu quando Levine empanturrou os dois grupos, durante várias semanas, com ração com alto teor de gordura, até que desenvolvessem um tipo de diabetes de roedores. A corrida reverteu posteriormente a condição de saúde dos camundongos normais, mesmo enquanto continuavam recebendo a dieta rica em gordura.
Contudo, após correrem durante semanas, os camundongos resistentes à autofagia permaneceram diabéticos. Os níveis de colesterol deles também estavam mais altos que os dos outros camundongos. O exercício físico não os tornou mais saudáveis.
Levine e seus colegas concluíram que o aumento da autofagia, induzido pelos exercícios físicos, parece ser uma etapa decisiva na melhora das condições de saúde.
A descoberta é "muito empolgante", afirmou Zhen Yan, do Centro de Pesquisas Musculoesqueléticas da Universidade da Virgínia, que também estuda autofagia e exercícios. Segundo Yan, o estudo "aprimora a nossa compreensão das razões do impacto salutar dos exercícios sobre a saúde".
Os resultados obtidos por Levine têm implicações amplas. Por exemplo, os indivíduos que não reagem aos exercícios aeróbicos com o mesmo vigor que seus companheiros de treino podem ter sistemas de autofagia instáveis ou inadequados.
"É muito difícil estudar a autofagia nos seres humanos", afirmou Levine. Entretanto, medicamentos intensificadores de autofagia ou exercícios especializados algum dia talvez ajudem as pessoas a obterem total proveito dos exercícios físicos.
Até lá, esse estudo salienta mais uma vez a importância de permanecer ativo. Tanto o grupo de controle quanto o grupo geneticamente modificado tinham "níveis antecedentes normais de autofagia" durante as circunstâncias diárias, observou Levine. Contudo, esse nível de base de "limpeza" celular não foi suficiente para protegê-los em face de uma dieta insatisfatória.
"Eu nunca pratiquei exercícios físicos de forma persistente", afirmou Levine. Recentemente, porém, após ter testemunhado a contribuição dos exercícios na "limpeza" das células dos camundongos corredores, a cientista adquiriu uma esteira mecânica.

LIMPEZA CELULAR Longevidade e saúde

ESTÍMULO
A faxina promovida pela autofagia ajuda a conter o envelhecimento. Ao digerir mitocôndrias desgastadas, a célula se livra de estruturas que podem liberar radicais livres. Destruir componentes envelhecidos permite que as células funcionem melhor e se mantenham jovens mais tempo. A boa notícia é que tudo indica que há como dar uma forcinha nesse processo.
Pesquisas feitas com camundongos na Universidade do Texas, nos EUA, provaram que a autofagia é estimulada com a prática de atividade física. Estudos em animais mostraram também que uma alimentação com restrição calórica ajuda no processo.
Mesmo sem testes em humanos, esta é uma mensagem importante para quem tem uma dieta regrada e não deixa o corpo ficar parado. “Pessoas saudáveis, que praticam atividades físicas e controlam o peso e a taxa de colesterol podem equilibrar o processo de morte celular e ganhar um tempo a mais de juventude”, diz a pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo, Soraya Soubhi Smaili.


Começamos a envelhecer cedo. Aos 21 anos nosso corpo passa a eliminar mais células do que criá-las e a soma dessas unidades fundamentais de nosso organismo entra no negativo. Por dia, um adulto perde cerca de 1 bilhão de células. Não há ainda formas de interromper esse fenômeno, mas a busca pela sua reversão, dizem os cientistas, passa pela tentativa de desvendar o mecanismo de um processo natural em que as próprias células se encarregam de eliminar componentes problemáticos por meio de uma espécie de faxina: a chamada autofagia.
Neste processo de limpeza, ocorre a destruição de proteínas e elementos defeituosos e estressores da célula (ver quadro). Caso a autofagia não dê conta de eliminar o que afeta a função celular, a célula morre.
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“A autofagia é um processo que ocorre dentro da célula. É uma autolimpeza, que ajuda a retardar a morte celular, o que pode diminuir a perda de células e equilibrar o nosso ‘saldo’ por um tempo maior”, explica a professora do Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro da Sociedade Internacional de Morte Celular Soraya Soubhi Smaili.
Conhecida desde a década de 60, a autofagia era encarada antes como um tipo de morte celular. Estu­­­dos sobre ela só passaram a ser desenvolvidos no início dos anos 90, quando os genes que controlam esse processo de digestão celular foram descritos. Só então, o verdadeiro papel do fenômeno começou a ser desvendado.
“Ainda não conhecemos completamente como a autofagia ocorre, mas percebemos que ela não tem papel de morte, mas de proteção e sobrevida de nossas células”, diz a professora da Unifesp.
Contra a degeneração
Manter as células vivas por mais tempo pode ser essencial para conter o avanço da degeneração causada por doenças como o mal de Parkinson e de Alzheimer, caracterizadas pelo acúmulo de proteínas malformadas nas células.
“Algumas pesquisas mostram que, quando a autofagia é estimulada com fármacos, aumenta a sobrevida dos neurônios, evita que eles entrem em processo de degeneração e permite que um maior número de células continue em funcionamento”, afirma Soraya.
O estímulo a esta autolimpeza ajudaria também a retardar a diabete – atenuando a resistência à insulina – e as doenças cardíacas, ao tornar mais lenta a perda de função e atividade dos órgãos. “Em quadros de isquemia ou enfarte, a autofagia é importante para a manutenção das células do músculo cardíaco. É uma forma de manutenção da vida”, diz o pesquisador da Univer­sidade Federal do Rio Grande do Sul Eduardo Cre­­­­monese Fillipi Chiela.
Células cancerígenas também se beneficiam
Da mesma forma que a autofagia ajuda células como os neurônios a sobreviver, ela pode auxiliar células doentes a se multiplicar. No caso do câncer, caracterizado como uma proliferação exagerada de células danosas, o processo de limpeza precisa ser controlado, pois este mecanismo de defesa faz com que o tumor resista aos tratamentos.
“Inibir a autofagia em células cancerígenas permitiria aumentar a sensibilidade para matá-las, mas ainda não existem remédios ou tratamentos específicos para agir nesse processo”, explica a pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo, Soraya Soubhi Smaili.
Pesquisa
Desde 2007, biomédicos do Ins­­­tituto de Biociências da Uni­­­versidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) tentam esclarecer como um composto conhecido resveratrol – bastante concentrado no vinho tinto – age de forma diferente em células sadias e em células cancerígenas responsáveis pelos tumores mais comuns e agressivos do sistema nervoso central, os gliomas.
O resveratrol protege as células saudáveis e mata uma parte das células tumorais. Por outro lado, o composto induz a autofagia no restante das células cancerígenas sobreviventes, o que as protege da morte.
“Cerca de 40% das células tumorais morrem logo no primeiro contato com o resveratrol. Queremos descobrir a influência da autofagia sobre os mecanismos de morte celular e tentar esclarecer e controlar a ação do resveratrol neste processo. Isto pode ser inovador no tratamento contra este câncer”, explica o biomédico e pesquisador da UFRGS na área de biologia celular e molecular de tumores cerebrais, Eduardo Cremonese Fillipi Chiela. O pesquisador analisou por quatro anos a ação do resveratrol em culturas de células de gliomas. O próximo passo é testar esse modelo em animais.